Scientia International Journal for Human Sciences 8 of 23
produção capitalista, em que trabalhadores vendiam livremente sua força de trabalho para a burguesia que,
por sua vez, estava preocupada com a “concorrência cada vez mais acirrada do exterior e o intercâmbio
mundial, do qual a Alemanha cada vez menos podia se abster” (Marx, 2007, p. 195).
Foi então, a partir de 1840, que os burgueses alemães começaram a pensar em garantir esses interesses
comuns tornando-se nacionalistas liberais e exigiram tarifas protecionistas e constituições. Agora, segundo
Marx, “eles se encontram quase no ponto em que estavam os burgueses franceses em 1789” (idem). Esta
burguesia, desenvolveu uma literatura que deixou de expressar a luta de uma classe contra a outra e defendeu
“não verdadeiras necessidades, mas a necessidade da verdade; não os interesses do proletário, mas os
interesses do ser humano, do homem em geral do homem que não pertence a nenhuma classe nem à realidade
alguma e que só existe no céu brumoso da fantasia filosófica” (Marx, 2010, p. 63).
Diante da situação em que aquele capitalismo, sem Estado, avançava, com seus reinos e ducados,
muitos trabalhadores foram expulsos das terras e passaram a constituir a mão de obra excedente
(desempregados) e a formar, além do exército de reserva, a nova classe do lumpemproletariado. Como
consequência, fome e miséria passaram a fazer parte daquela realidade. A partir de então, novas questões
apareceram como, por exemplo: como superar tal realidade? Uma resposta encontrada foi mandando aquele
exército de homens, mulheres e crianças para as américas sem, entretanto, com uma consciência de classe
com suas verdadeiras necessidades. Mas, com uma consciência e com verdades que não pertencem a
nenhuma classe e, muito menos, a uma realidade que não fantasiosa.
Cumpre lembrar, também, que estava sendo gestada na Europa a algum tempo a “ciência das raças”.
Em 1775, o alemão Johann Friedrich Blumembach (1752-1840) publicou sua tese intitulada “A variedade
nativa da raça humana”, que muito contribuiu para o “racismo científico”. Hegel, por exemplo, publicou em
1837, seu livro intitulado “Filosofia da História” onde disse que:
A África é o país da infância da história. Ao definir o espírito africano (negroide),
temos de desprezar totalmente a categoria de universalidade – isto é, a criança ou o
negro têm, de fato, ideias, mas ainda não têm a ideia. Entre os negros, a consciência
ainda não atingiu uma objetividade sólida, como, por exemplo, Deus, a lei, na qual o
homem teria a percepção de seu ser [...] razão pela qual está totalmente ausente o
conhecimento de um ser absoluto. O negro representa o homem natural em sua
completa ausência de constrangimentos. Embora tenham de estar conscientes de sua
dependência dos fatores naturais [...], isto não os conduz, no entanto, à consciência
de algo superior (Hegel, 1837, apud Marx, 2007, p. 170).
Nesta concepção idealista de Hegel, tem-se a apresentação dos negros como uma raça inferior sem a
capacidade de se autogovernar. Além disso, ele difundiu a ideia do ‘mundo germânico’, “cuja consciência se