Scientia International Journal for Human Sciences 10 of 14
face a eles (Silva, 2018, p. 10).
O autor busca definir os portugueses tanto do ponto de vista interno, como externo, distinguindo de
outros povos e nações. “A identidade não é apenas o que se é, é o que se diz que é – muitas vozes, muitos
dizeres, logo, vários sujeitos e várias representações” (Silva, 2018, p.18). Nos movimentos iniciais de seu
estudo, Silva (2018) resgata o passado histórico português das grandes conquistas (“descobrimentos”) e
navegações pelos continentes americano e africano, elencando estes personagens como definidores de uma
identidade nacional/cultural de Portugal. Ou seja, há uma forte relação com os mares e com estratégias
geopolíticas, que por sua vez provocaram alquimias culturais híbridas. Trazendo o debate para a
contemporaneidade, o autor conclui que na pós-modernidade, Portugal adquiriu traços “ocidentalocêntricos”
e, talvez por isso, o melhor e maior elemento de unificação da identidade cultural portuguesa seja o idioma.
A dissertação de Ferreira (2021), discute a identidade cultural da Geração Z portuguesa e como esta
tem sido moldada pelos mecanismos midiáticos, tornando-a americanizada. A autora afirma que “A
identidade cultural é um aspeto que se vai desenvolvendo consoante o meio em que uma pessoa está inserida;
a família, a escola, as experiências, a língua, as tradições são apenas alguns dos aspetos que têm impacto na
identidade cultural” (Ferreira 2021, p.6). Na pesquisa desenvolvida, Ferreira destaca que os jovens
portugueses moldam suas identidades de forma híbrida e multicultural, criando uma base pacífica de convívio
entre a cultura local e a global. Assim como em outros estudos já elencados, de forma indireta, ela aponta o
idioma como uma das marcas da identidade cultural de Portugal. O breve estudo de Castro & Ribeiro (2022)
com estudantes do ensino superior de Bragança, ratifica as considerações de Ferreira (2021), tendo na língua
um forte elemento de definição da identidade cultural em tempos pós-modernos.
3. Considerações, desdobramentos e caminhos investigativos futuros
Neste breve levantamento que realizamos sobre a Identidade Cultural portuguesa em trabalhos
acadêmicos recentes, percebemos que o mais citado dos elementos, que constituem marcos identitários de
Portugal, é a língua portuguesa; que transcende épocas e ocupa posição ambígua, aproximando culturas e por
vezes estabelecendo quem são os ‘outsiders’ e dominados. Já os chamados “heróis” do descobrimento - por
vezes caricaturados -, a literatura, o fado, os símbolos nacionalistas (bandeira, hino, vestimentas), e a religião,
nas palavras dos pensadores analisados, se remetem a um passado recente, mas superado, e que tenta ser
resgatado por movimentos políticos da direita em campanhas anti-imigração e, em certa medida, xenofóbicas.
Por outro lado, o futebol, o enoturismo, o turismo gastronômico, cultural e consumista, estão vinculados aos
contextos globalizadores, cosmopolitas, multiculturais e pós-modernos. Há elementos explícitos, como os