Scientia International Journal for Social Sciences 4 of 11
2023). Já na Índia, a consolidação dessa prática ocorreu de maneira mais centralizada e precoce, com a criação
do Indian Council for Cultural Relations (ICCR), em 1950, como resultado de discussões regionais sobre
cultura. Ambos os países, ao utilizarem a cultura como instrumento de inserção internacional, buscam
fortalecer suas presenças no cenário global, sobretudo em países emergentes e regiões estratégicas.
A Diplomacia Cultural está presente nas estratégias de inserção internacional do Brasil desde, no mínimo,
o Segundo Reinado. Em 1889, com apoio do império, foi lançada a obra “Le Brésil”, unindo grandes nomes
da chamada “alta sociedade” brasileira, com o objetivo de construir uma imagem de país civilizado no cenário
internacional. (FERREIRA, 2023, p.187-188). Durante os anos que se seguiram, esse instrumento serviu
como defensor de interesses econômicos e estratégicos brasileiros no mundo. (DUMONT; FLÉCHET, 2014,
p.203).
Tal definição também é apresentada por Edgard Telles Ribeiro (2025) quando, na sua obra “Diplomacia
Cultural: Seu Papel na Política Externa Brasileira”, diz que “A Diplomacia Cultural, por sua vez, seria a
utilização específica da relação cultural para a consecução de objetivos nacionais de natureza não somente
cultural, mas também política, comercial ou econômica.” (RIBEIRO, 2025, p.31)
Durante os anos em que o Barão de Rio Branco foi o chefe do Ministério das Relações Exteriores (MRE)
do Brasil, entre 1902 e 1912, o órgão começou a trabalhar na propagação de uma imagem prestigiosa e
lapidada do Brasil, com o objetivo de estabelecer os padrões aos quais o país desejava ser reconhecido no
exterior (DUMONT; FLÉCHET, 2014, p.205), mas não necessariamente de uma imagem fidedigna. Não por
acaso, o Barão de Rio Branco foi um dos autores da obra “Le Brésil”, evidenciando a continuidade dessa
estratégia de apresentação do país.
O Brasil continuou incentivando a propagação do seu idioma e cultura para os outros países de forma
discreta, com a criação do Serviço de Expansão Intelectual, em 1934 (DUMONT; FLÉCHET, 2014, p.206),
tendo como base do seu texto de constituição o seguinte trecho:
Organizar um fichário com o endereço de todos os escritores, de todos os países, capazes de se interessar pela literatura e
pela vida cultural do Brasil, sobretudo aqueles que, por conhecerem o idioma castelhano, possam mais facilmente entender
o português (DUMONT; FLÉCHET, 2014, p.206 apud Arquivo RC/AMLB/FCRB, 1-3-1934, p. 1-2)
Dessa forma, entende-se que, mesmo que “os objetos e os destinatários dessa diplomacia se desenvolveram
no início dos anos 1960” — e que estes seriam a América Latina, os Estados Unidos, a Europa e a África
(DUMONT; FLECHET, 2014, p.216) — já se pensava, na década de 30, nessa expansão cultural para regiões
estratégicas do globo, principalmente para aquelas que possuíam um idioma semelhante, como o espanhol.
Em seguida, o Departamento Cultural do Itamaraty (DC) de 1938 iniciou o caminho para o estabelecimento
do Departamento Político Econômico e Cultural (DPEC) e da Divisão Cultural do Itamaraty (DCI) —
mantendo a sigla da antes chamada Divisão de Cooperação Intelectual — em 1946 , que de fato iriam realizar
missões diplomáticas específicas para a promoção da cultura (DUMONT; FLÉCHET, 2014, p. 210;
TORRECUSO, 2021, p. 210).
Aproximadamente 15 anos depois, com a lei nº 3.917 de 14 de julho de 1961 e uma reorganização do
Itamaraty, a Divisão Cultural do Itamaraty (DCI) passou a integrar o Departamento Cultural de Informações
(DCInf), que era composto pelas: Divisão de Cooperação Intelectual (DCInt), Divisão de Difusão Cultural
(DDC) e Divisão de Informações (DI), modelo que esteve atuante durante o início do período ditatorial
(BRASIL, 1961).
Após a anexação da DI à Secretaria Geral do Itamaraty, em 1968, a DCinf reorientou suas atividades relacionadas aos
intercâmbios científicos e à ação cultural, transformando-se no Departamento Cultural (DC), e, em seguida, no
Departamento de Cooperação Cultural, Científico e Tecnológico (DCT). Em 1975, a DDC, a DCInt e a Divisão de
Cooperação Técnica (DCTec) foram agrupadas. A criação da Divisão de Divulgação (DDI) no ano de 1978, a fim de
‘promover a realidade brasileira no exterior com ênfase nos assuntos do cinema e da televisão’, anexou ainda as