Scientia International Journal for Social Sciences 4 of 13
grandes chuvas, muitas vezes encontrados a partir da Lagoa (JUNIOR; ROSSATO, 2009). O ambiente é
dividido em duas grandes zonas: a Litoral, e a Pelagial ou Central, composta por uma região com maior
incidência solar e a Profundal, com pouca incidência de luz e espaço de decomposição de matéria orgânica.
Entre essas zonas é encontrada uma outra, denominada zona de compensação, onde acontecem fenômenos
comuns as duas zonas vizinhas (SCHÄFER, 2009).
Dessa forma, é possível observar a Lagoa Mirim como palco de uma notável biodiversidade,
abrigando uma imensa quantidade de espécies em sua fauna e flora, e sendo o refúgio de diversas espécies
em extinção. Nela, encontram-se relações ecológicas intraespecíficas e interespecíficas, embasando relações
dos indivíduos para com o meio ambiente. A Lagoa Mirim, além de ser uma fronteira líquida que integra as
relações político-sociais de dois países, é a casa de inúmeros seres vivos, podendo ser vista como local de
resistência que, em um mundo cada vez mais cinza e antropocêntrico, resguarda diversas formas de vida.
De acordo com os autores Saito e Steinke (2008), o uso da terra da bacia é realizado pelos campos,
associados em alguns casos com matas isoladas e com a pecuária de corte, e a intensa utilização do local para
a agricultura mecanizada. As áreas planas e as áreas sujeitas a inundações, denominadas “terras baixas”, são
muito usadas para o intenso cultivo de arroz irrigado. As terras altas, aquelas acima de 60m, são muito usadas
para a criação de gado de corte de alto nível competitivo no mercado internacional. No território brasileiro,
foi observado um crescimento na ocupação agrícola com o plantio de soja, visando a diversidade econômica
na região.
Sendo assim, a importância ambiental da Bacia da Lagoa Mirim é ampla. Sendo uma zona úmida, que
faz parte dos ecossistemas de maior produtividade do planeta, a Lagoa beneficia os aspectos sociais e
econômicos populacionais, principalmente disponibilizando água doce. Traz diversos benefícios também a
partir de seus recursos, como a própria água, os peixes, as madeiras, as plantas medicinais e toda a vida
silvestre. Como função enquanto área úmida, podemos citar a regulação de inundações e secas, retenção de
sedimentos e nutrientes, remoção de substâncias tóxicas, estabilização de microclimas, controle de carbono,
recarga de aquíferos, tendo como atributos a importância socioambiental e o banco genético (SAITO;
STEINKE, 2008). Logo, o uso racional e respeitoso do ambiente da Lagoa Mirim pode beneficiar a vida
humana sem entrar em desequilíbrio com a vida silvestre.
1.1.2. Riscos ambientais enfrentados pela Lagoa Mirim
Após a importância ambiental da Lagoa mirim ser apresentada, é fundamental a discussão sobre os
riscos ambientais que essa importante bacia enfrenta. A Bacia da Lagoa Mirim possui, na composição de seu
corpo hídrico, 32 sub-bacias. Em um estudo sobre a carga poluidora nas áreas úmidas da Bacia Hidrográfica
da Lagoa Mirim, realizado por Saito e Steinke (2008), foi possível observar 12 sub-bacias enquadradas nas