https://journals.scientia.international/SIJSocial
Scientia International Journal for
Social Sciences
Vol. 1, 1 (2026)
Tipo: [Artigo de Pesquisa] | DOI: 10.56365/5t7xh498
3127-2894 © 2026 Os autores. Publicado por Scientia.International S.L. (Espanha).
Artigo de acesso aberto sob licença CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0).
Fidelização experiencial no turismo de aventura de natureza: a relação
entre satisfação, engajamento sustentável e intenções de retorno e
recomendação: um estudo descritivo no Agreste Pernambucano -
Brasil
Ana Elisabeth de Brito Alves1*, Luana Cavalcanti de Melo Ataíde1, Juliana de Brito Alves Cavalcanti1,
Eliana Andréa Severo1
1Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, Pernambuco, Brasil
ORCID: 0009-0006-7827-8899; 0009-0003-2503-6552; 0009-0000-2500-6909; 0000-0002-5970-4032
*Autor correspondente: anabritoalves@gmail.com.
Resumo
O turismo de aventura de natureza tem se consolidado como uma modalidade capaz de proporcionar experiências únicas e
memoráveis aos consumidores, sobretudo em regiões que aliam paisagens naturais a práticas sustentáveis e de lazer ativo. No
Agreste pernambucano, a cidade de Gravatá destaca-se como um destino emergente nesse segmento, atraindo empresas
especializadas, turistas e investimentos que aquecem a economia local. Este estudo teve como objetivo analisar como a satisfação
com a experiência e o engajamento sustentável no turismo de aventura de natureza impactam e influenciam as intenções de retorno
e de recomendação dos turistas-consumidores, tendo quatro hipóteses, duas variáveis dependentes e duas independentes. A
pesquisa possui uma abordagem quantitativa descritiva, a partir de um questionário aplicado aos respondentes com escala Likert
de cinco pontos. Os dados foram analisados por meio de estatísticas descritivas, análise fatorial exploratória e confirmatória, bem
como regressão linear múltipla. Os resultados indicam que a experiência satisfatória e o engajamento sustentável impactam
positivamente a intenção de retorno dos turistas. O estudo contribui para a compreensão do consumo experiencial no turismo de
aventura de natureza e oferece subsídios para estratégias de gestão turística voltadas à valorização da sustentabilidade e à
fidelização experiencial dos visitantes.
Palavras-chave: Experiência de consumo; Turismo de aventura de natureza; Fidelização experiencial; Propagação espontânea.
Detalhes do artigo | Avaliação por pares aberta
Editado por:
Bruno César Alves Marcelino
Avaliado por:
Rodrigo da Costa Segóvia
Marcos Roberto Pisarski Junior
Citação:
Alves, A. E. de B., Ataíde, L. C. de M., Cavalcanti, J. de B. A., & Severo, E. A. (2026).
Fidelização experiencial no turismo de aventura de natureza: a relação entre satisfação,
engajamento sustentável e intenções de retorno e recomendação: um estudo descritivo no
Agreste Pernambucano - Brasil. Scientia International Journal for Social Sciences, 1(1), 31.
https://doi.org/10.56365/5t7xh498
Histórico do artigo
Recebido: 16/12/2025
Revisado: 26/01/2026
Aceito: 03/02/2026
Disponível: 30/07/2026
Scientia International Journal for Social Sciences 2 of 28
Scientia International Journal for Social Sciences | Scientia International
1. Introdução
O turismo de aventura de natureza tem se consolidado como uma importante modalidade turística,
especialmente em regiões que aliam riqueza natural a práticas esportivas e culturais, principalmente a fins de
lazer (Miller et al., 2022; Ertaş et al., 2022; Nyaupane, 2023; Silva et al., 2024). No agreste de Pernambuco, a
diversidade ambiental proporciona oportunidades de consumo no turismo de natureza (Freitas, 2021),
estimulando experiências de imersão únicas e memoráveis (Cavalcanti, 2024), superação de desafios em
ambientes naturais, além de contribuir na geração de efeitos positivos à saúde física e mental (Li, 2022).
Autores contemporâneos destacam que a experiências turísticas vivenciadas em ambiente de natureza,
impactam positivamente a satisfação dos turistas e seu engajamento sustentável (Nyaupane, 2024; Ordiñana-
Bellver et al., 2024). Nesse sentido, este estudo foi realizado na região do agreste pernambucano, Brasil,
particularmente no município de Gravatá, região propícia a essas práticas (Freitas, 2021), no que tange às
duas modalidades: A trilha e o rapel, que são predominantemente experienciados principalmente por possuir
a biofilia pertinente (Trevisan e Oliveira, 2024), agregando a assim a possibilidade de desenvolvimento local
ainda mais aquecido se tratando desse tipo de turismo (Rosa e Dos Anjos, 2022).
Nesse sentido, ter a compreensão da trilha e do rapel como modalidades fundamentais para o
segmento turístico de aventura de natureza (Calegari et al., 2020), e que são frequentemente experienciadas
na região pesquisada (De Brito Alves et al. 2024), torna-se fundamental para a compreensão de que este
turismo é uma aquisição além do consumo de serviços (Carú e Cova, 2020; Scussel et al., 2022), e sim uma
experiência única e memorável para seus adeptos (Cavalcanti, 2024), e que neste estudo se configura como
experiência com fins de lazer (Oliveira et al., 2023).
O turismo de aventura na natureza, enquanto lazer, promove interação com o meio ambiente por meio
de experiências emocionantes, desafiadoras e, por vezes, arriscadas, sendo dependente da própria natureza
para existir (Pomfret et al., 2023). Com base em pesquisa qualitativa anterior dos mesmos autores, este estudo
analisou o valor experiencial das práticas de trilha e rapel em Gravatá-PE, utilizando o método MVE
desenvolvido por Cavalcanti (2024), ‘Mapa de Valor Experiencial’, onde os principais valores identificados
foram a ‘satisfação nas experiências’ e o ‘engajamento sustentável’ (De Brito Alves et al., 2024).
A satisfação nas experiências está associada a sentimentos como felicidade, alegria, paz, superação
pessoal, e conexão positiva com a natureza. o engajamento sustentável é compreendido como o
compromisso do turista com práticas de preservação, cuidado e valorização do ambiente natural, favorecendo
sua continuidade. Neste cenário, o expressivo crescimento do turismo de aventura de natureza no agreste
pernambucano, especialmente em Gravatá, consolidando-se como um nicho forte que impulsiona diversas
Scientia International Journal for Social Sciences 3 of 28
outras formas de consumo e experiência (Freitas, 2021; Bezerra e Lima, 2023;). Observa-se porém, uma
escassez de estudos acadêmicos que investiguem as dinâmicas do consumo e experiências nesse segmento,
onde a literatura no campo do Marketing ainda concentra seus esforços científicos majoritariamente em
grandes polos turísticos ou em aspectos técnicos das atividades (Nyaupane, 2024), deixando em segundo
plano a compreensão dos fatores que moldam a experiência e o consumo desse segmento em nichos menores
de mercado, mas não menos importantes (Leopoldo et al., 2024; Rodrigues et al., 2024).
Esta pesquisa propõe-se a preencher uma lacuna ao analisar a experiência de consumo no turismo de
aventura de natureza em Gravatá, com foco em duas variáveis independentes cientificamente reconhecidas
como positivas: a satisfação com a experiência e o engajamento sustentável dos turistas. O objetivo é verificar
se a satisfação influencia significativamente a intenção de retorno aos locais de prática, como trilhas e rapel,
bem como a intenção de recomendação dessas experiências. Além disso, busca-se compreender se o
engajamento sustentável também impacta positivamente essas intenções de retorno e recomendação.
Com base nesse cenário e fundamentado em um modelo teórico que articula duas variáveis
independentes impactando e influenciando duas variáveis dependentes, a partir dos construtos pertinentes,
este estudo tem como objetivo geral investigar de que forma a satisfação da experiência e do engajamento
sustentável dos adeptos do turismo de aventura de natureza da região de Gravatá-PE, impactam e influenciam
a intenção de retorno e de recomendação do turista.
Para atender a esse propósito, estabelecem-se os seguintes objetivos específicos:
a) analisar como a satisfação com a experiência no turismo de aventura de natureza impacta a intenção
de retorno e influencia a intenção de recomendação dos consumidores;
b) investigar se o engajamento sustentável desses turistas impacta a intenção de retorno e influencia
a intenção de recomendação
c) avaliar os índices de impacto e influência entre as hipóteses determinadas.
Portanto, este estudo quantitativo descritivo (Hair et al., 2019), segue contribuindo para o avanço da
ciência do Marketing, especialmente em sua abordagem mais moderna:
Experiência de consumo, além de oferecer subsídios práticos para a gestão de destinos com foco na
região do agreste pernambucano, alcançando aspectos do fortalecimento da economia local, do
desenvolvimento profissional de promotores turísticos, empresas envolvidas, turistas, debate clima e meio
ambiente, educação ambiental, e demais Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e outras frentes
de consumo (Dotto et al., 2022; Iwamoto et al., 2024).
Partindo dessa compreensão, o modelo teórico proposto na pesquisa pressupõe que a Satisfação com
Scientia International Journal for Social Sciences 4 of 28
a Experiência impactando positivamente a Intenção de Retorno e influenciando a Intenção de Recomendação,
e o Engajamento sustentável impactando positivamente a Intenção de retorno e influenciando positivamente
a intenção de recomendação, como dispostos na figura (1):
Figura 1
Modelo Teórico da Pesquisa
Fonte: Autores da pesquisa (2025)
Hipóteses
H1 A Satisfação com a Experiência impacta positivamente a Intenção de Retorno. H2 O
Engajamento Sustentável → impacta positivamente a Intenção de Retorno.
H3 A Satisfação com a Experiência influencia positivamente a Intenção de Recomendação
da experiência.
H4
O
Engajamento
Sustentável
influencia
positivamente
a
Intenção
de Recomendação
da experiência.
2. Fundamentação teórica das hipóteses de pesquisa
2.1. Turismo de aventura de natureza, experiências de consumo e satisfação (H1)
Atividades turísticas realizadas em ambiente de natureza crescem e se destacam em suas diversidades
e modalidades, seja para fins de lazer, aventura, contemplação e competição ao redor do mundo (Ertaş et al.,
2022; Miller et al., 2022; Nyaupane, 2023; Silva et al., 2024), e cada uma oferece características e
possibilidades específicas para seus adeptos (Martins e Da Silva, 2018), incluindo desde caminhadas em
trilhas e observação da fauna e flora, até práticas radicais como rafting, rapel e escalada (Oliveira et at., 2023).
Scientia International Journal for Social Sciences 5 of 28
Por ocorrerem em cenários naturais, como em florestas, parques, montanhas, rios, praias, matas e
outros, essas atividades turísticas vêm atraindo muitos adeptos (Massini et al., 2021), que buscam viver ou
reviver momentos relaxantes, positivos, curativos, desafiadores e estimulantes (Su et al., 2020, 2021).
Essa forma de turismo proporciona experiências intensas em ambientes naturais, marcadas por
desafios físicos e emocionais, além de promover benefícios para a saúde física e mental (Li, 2022). No agreste
pernambucano, a riqueza ambiental favorece a vivência de experiências imersivas e singulares, como trilhas
e rapel, especialmente no município de Gravatá, onde esse tipo de turismo tem se mostrado um nicho em
expansão (Freitas, 2021; Cavalcanti, 2024).
Nesse contexto, o turismo de aventura configura-se como um consumo experiencial que vai além da
aquisição de serviços, sendo vivenciado como uma prática memorável e transformadora (Carú e Cova, 2020;
Scussel et al., 2022). Compreende-se a partir disto, que as práticas de trilha e rapel, em especial, têm sido
reconhecidas como atividades centrais nesse segmento, principalmente por sua conexão com a biofilia a
afinidade humana com a natureza e pela sua presença significativa na realidade local (Trevisan e Oliveira,
2024; De Brito Alves et al., 2024).
Entretanto, essa modalidade de lazer, ao articular emoção, risco e superação, também é dependente
da preservação do meio ambiente, o que reforça sua natureza sustentável (Pomfret et al., 2023), conjunto
importante para o alcance da satisfação do sujeito experienciador (Borja e Corbin, 2025). Assim, a satisfação
do consumidor é compreendida como o resultado de uma avaliação positiva da experiência, geralmente
baseada na comparação entre expectativas prévias e a percepção real, tanto do desempenho individualmente
conquistado, quanto do cenário vivenciado (Borges e Santos Lobo, 2025).
No turismo de aventura, essa satisfação está profundamente ligada à vivência emocional, à sensação
de superação, à conexão com o ambiente natural, paz, acolhimento e liberdade (Borges e Santos Lobo, 2025;
Oliveira et al., 2023; Pomfret et al., 2023). Portanto, reforçando o valor subjetivo e simbólico da satisfação
nesse contexto, as experiências no turismo de aventura de natureza bem-sucedidas em ambientes naturais,
são marcadas por sentimentos diversos, tais quais a felicidade, alegria, paz, realização pessoal e ambiente
sustentável (Nyaupane, 2024; Cavalcanti, 2024; Borges e Santos Lobo, 2025).
2.2. Engajamento sustentável, intenção de retorno e intenção de recomendação (H2, H3, H4)
O conceito de engajamento sustentável refere-se ao envolvimento ativo dos consumidores em práticas
que promovam a conservação ambiental e a responsabilidade sociocultural (Nguyen et al., 2025). No contexto
do turismo de natureza, o engajamento sustentável é visto como um fator crucial para a manutenção da
atratividade dos destinos a longo prazo e para a construção de uma experiência mais autêntica e responsável.
Scientia International Journal for Social Sciences 6 of 28
Estar engajado sustentavelmente enquanto consumidor do turismo de aventura de natureza, de acordo
com Nguyen et al. (2025, p. 8), diz respeito ao comprometimento individual e coletivo do turista com atitudes
e práticas que visem à conservação ambiental e ao respeito sociocultural do cenário. Esse engajamento
manifesta-se por meio de ações conscientes de cuidado com o ambiente visitado, valorização dos recursos
naturais e promoção do uso responsável dos espaços (Rosa e Dos Anjos, 2022). Além de refletir uma postura
ética e comportamental dos sujeitos, esse tipo de engajamento contribui para a longevidade dos destinos
turísticos e amplia a autenticidade da experiência vivenciada pelos turistas (Ordiñana-Bellver et al., 2024).
Nas experiências turísticas de aventura de natureza, as intenções comportamentais, como retornar ao
destino ou recomendar a experiência a terceiros, estão fortemente relacionadas à percepção positiva da
experiência vivida (Baker e Crompton, 2000). Nesse contexto, essas intenções são influenciadas não apenas
pela avaliação objetiva dos serviços prestados, mas também pelas emoções despertadas durante a vivência
da atividade (Leopoldo et al., 2024; Rodrigues et al., 2024).
Portanto, o alicerce da literatura atual, corrobora que tanto a satisfação com a experiência quanto o
engajamento sustentável, podem desempenhar papéis decisivos na formação dessas intenções, sobretudo em
contextos de consumo experiencial e nichos turísticos em ascensão, como o agreste pernambucano (Bezerra
e Lima, 2023; De Brito Alves et al., 2024).
3. Metodologia
3.1. Procedimentos metodológicos
Este estudo quantitativo, de caráter descritivo (Hair et al., 2019), investigou como a satisfação com a
experiência e o engajamento sustentável influenciam a intenção de retorno e de recomendação entre
praticantes de turismo de aventura na região de Gravatá- PE. A coleta foi feita por meio de um questionário
estruturado, com escalas Likert de 5 pontos, adaptadas de instrumentos validados em pesquisas anteriores.
A análise dos dados seguiu quatro etapas: (1) estatística descritiva para caracterização da amostra; (2)
análise fatorial exploratória (AFE) para explorar a estrutura dos construtos; (3) análise fatorial confirmatória
(AFC) para validação das escalas; e (4) regressão linear múltipla para testar as hipóteses do modelo,
examinando as relações entre variáveis independentes e dependentes. Embora a Modelagem de Equações
Estruturais (SEM) não tenha sido utilizada nesta fase por limitações de escopo, a combinação da AFE, AFC
e regressão garantiu a robustez dos resultados. A figura (2) apresenta as hipóteses investigadas.
Scientia International Journal for Social Sciences 7 of 28
Figura 2
Contextualização das hipóteses
H1
A Satisfação com a Experiência vivenciada no turismo de natureza impacta positivamente a intenção
dos turistas retornar mais vezes à Grava-PE, e ser possivelmente um consumidor assíduo dessas
experiências.
H2
O engajamento sustentável dos turistas, impacta positivamente em sua intenção de retorno à Gravatá-PE e
realizar mais vezes as experiências no turismo de natureza.
H3
A Satisfação com a Experiência vivenciada no turismo de natureza influencia positivamente a intenção do
turista a recomendar as experiências para seus pares, amigos, conhecidos e até mesmo divulgar a experiência
de maneira positiva em suas redes sociais.
H4
Será que esse engajamento sustentável influencia positivamente o turista a ponto de ele recomendar as
experiências no turismo de natureza que ele vivenciou.
Fonte: Autores da pesquisa (2025).
3.2. Contexto da pesquisa
Esta pesquisa quantitativa de natureza transversal, foi precedida por um estudo qualitativo que
identificou cinco valores experienciais nas práticas de turismo de aventura e natureza. Entre eles, destacaram-
se dois principais: satisfação com a experiência (sensações de paz, felicidade, renovação e superação) e
engajamento sustentável (contato com a natureza, atitudes de preservação e conexão com o ambiente natural).
Os dados foram coletados em cinco momentos distintos, durante experiências promovidas por cinco
empresas de turismo sediadas em Recife-PE, que comercializam pacotes de trilhas e rapel na cidade de
Gravatá-PE, via plataformas digitais. As experiências ocorriam apenas com a venda mínima de pacotes, o que
possibilitou registrar percepções variadas dos turistas participantes, ampliando a representatividade da
amostra. A abordagem adotada permitiu a formulação de hipóteses e o trabalho com as variáveis da pesquisa,
conforme apresentado na figura (3).
Figura 3
Quadro Metodológico da Pesquisa
Perfil dos respondentes
Adeptos do turismo de natureza que praticam a trilha e o rapel em
Gravatá,
cidade
da
região
do
agreste
do
Estado
de
Pernambuco.
Amostra
200 respondentes
Técnica de amostragem
Intencional/Julgamento
Época que ocorreu a coleta de dados
Março a Julho de 2024.
Tempo de coleta
Cinco meses.
Detalhes importantes
A coleta foi realizada em seis oportunidades de as experiências acontecerem,
promovidas por seis empresas diferentes. Todas as empresas
se
situam
em Recife-PE (Capital) e
todos
os
adeptos/turistas residem em Pernambuco.
Modalidade
apresentando
a
pesquisa
e
Fonte: Autores da pesquisa (2025).
Scientia International Journal for Social Sciences 8 of 28
3.3. Amostra e técnica de coleta
3.3.1. Amostra
A pesquisa contou com 200 participantes, selecionados por amostragem não probabilística, por
conveniência Hair et al. (2019), assegurando a relevância dos dados. A coleta foi feita entre março e julho de
2024, por meio de um questionário estruturado
(survey) no Google Forms, validado por dois especialistas na área de pesquisa. A aplicação ocorreu
de forma transversal, com a pesquisadora em campo durante as experiências.
Ao final de cada atividade, os participantes eram convidados a responder ao questionário via link
enviado por WhatsApp, com reforço sobre a importância da pesquisa. Esse procedimento foi repetido em
sete experiências ao longo de cinco meses, mantendo o questionário ativo por uma semana após cada evento.
A figura (4) apresenta detalhes da amostra e da coleta.
Figura 4
Características da amostra
Meses
N° de Experiências e
empresas promotoras
Total de
participantes por
experiência (População)
Amostra
(Respondestes deste
estudo)
Região em que
aconteceram as
experiências
(Trilha e Rapel)
Março
2 (mesma empresa)
68
54
Pública
Abril
1
30
29
Privada
Maio
1
35
32
Privada
Junho
1
32
26
Pública
Julho
2 (mesma empresa)
64
59
Pública e Privada
Total
7
229
200
-
Fonte: Autores da pesquisa (2025).
3.3.2. Técnica de coleta
A técnica de coleta utilizada foi o questionário estruturado organizado em escala Likert de cinco
pontos (discordo totalmente até concordo totalmente), contendo 17 afirmativas. Foram utilizadas escalas
baseadas nos construtos do estudo: Satisfação da Experiência (SE); Intenção de Retorno (IR);
Engajamento Sustentável (ES); Intenção de recomendação (REC). Nesse sentido, os tipos de variáveis,
construtos, questões, escalas e referências estão dispostas na figura (5) abaixo:
Figura 5
Características da técnica de coleta
Tipo de variável
Fator/Construto
Variável observada
com adaptações
Escala
Referências
Variável Independente
(VI)
Satisfação da
Experiência (SE)
P1. Minha experiência
no destino superou
minhas expectativas.
Likert 1-5
Cong. (2016).
Scientia International Journal for Social Sciences 9 of 28
Tipo de variável
Fator/Construto
Variável observada
com adaptações
Escala
Referências
Variável Independente
(VI)
Satisfação da
Experiência (SE)
P2. A infraestrutura do
local e do receptivo
turístico atendeu
positivamente às
minhas expectativas e
necessidades.
Likert 1-5
Cong. (2016).
Variável Independente
(VI)
Satisfação da
Experiência (SE)
P3. O contato com a
natureza foi
enriquecedor,
memorável e
inesquecível.
Likert 1-5
Cong. (2016).
Variável Independente
(VI)
Satisfação da
Experiência (SE)
P4. A experiência me
trouxe alegria e
sensação de bem-estar.
Likert 1-5
Cong. (2016).
Variável Dependente
(VD)
Intenção de Retorno
(PV)
P5. Pretendo voltar a
este destino no futuro
próximo.
Likert 1-5
Stylos et al. (2016).
Variável Dependente
(VD)
Intenção de Retorno
(PV)
P6. A experiência foi
tão positiva que desejo
repeti-la sempre que
puder.
Likert 1-5
Stylos et al. (2016).
Variável Independente
(VI)
Engajamento
Sustentável (ES)
P7. Durante minha
vivência na natureza,
evitei práticas que
prejudicam o meio
ambiente.
Likert 1-5
Piva et al. (2025).
Variável Independente
(VI)
Engajamento
Sustentável (ES)
P8. Prefiro destinos
que promovem
turismo sustentável.
Likert 1-5
Piva et al. (2025).
Variável Independente
(VI)
Engajamento
Sustentável (ES)
P9. Sinto-me motivada
a ser mais engajada
com a proposta de
atuar em defesa do
meio ambiente.
Likert 1-5
Piva et al. (2025).
Variável Independente
(VI)
Engajamento
Sustentável (ES)
P10. Eu contribuí com
minha experiência
para isso.
Likert 1-5
Piva et al. (2025).
Variável Independente
(VI)
Engajamento
Sustentável (ES)
P11. Eu investi
recursos financeiros e
materiais para ter uma
experiência como esta.
Likert 1-5
Piva et al. (2025).
Variável Independente
(VI)
Engajamento
Sustentável (ES)
P12. Eu fiz um
investimento pessoal
alto nessa experiência.
Likert 1-5
Piva et al. (2025).
Variável Dependente
(VD)
Intenção de
recomendação (REC)
P13. Eu recomendaria
este destino para
amigos e familiares
com base na minha
experiência.
Likert 1-5
Quintal e Polczynski
(2010); Jannach e
Lerche (2017).
Variável Dependente
(VD)
Intenção de
recomendação (REC)
P14. Acredito que este
destino seja adequado
para pessoas com
interesses semelhantes
aos meus.
Likert 1-5
Quintal e Polczynski
(2010); Jannach e
Lerche (2017).
Scientia International Journal for Social Sciences 10 of 28
Tipo de variável
Fator/Construto
Variável observada
com adaptações
Escala
Referências
Variável Dependente
(VD)
Intenção de
recomendação (REC)
P15. Se tiver
oportunidade,
compartilharei minha
experiência neste
destino em redes
sociais ou avaliações
online.
Likert 1-5
Quintal e Polczynski
(2010); Jannach e
Lerche (2017).
Variável Dependente
(VD)
Intenção de
recomendação (REC)
P16. Recomendo este
destino para amigos e
familiares.
Likert 1-5
Quintal e Polczynski
(2010); Jannach e
Lerche (2017).
Fonte: Autores da pesquisa (2025) Baseados nas escalas utilizadas.
3.4. Métodos de análise
Para a análise dos dados, empregou-se a estatística descritiva, conforme orientações de Triola (2021),
a fim de caracterizar o perfil da amostra e sumarizar as principais variáveis do estudo. A confiabilidade
interna das escalas foi avaliada por meio do cálculo do Alfa de Cronbach, α = (k / (k - 1)) × (1 - (soma das
variâncias dos itens individuais / variância total do escore combinado)), seguindo os critérios estabelecidos
por Hair et al. (2019).
Para a análise dos dados foi realizada a análise fatorial exploratória para analisar a validade dos
construtos, bem como a análise fatorial confirmatória, para validade do modelo teórico da pesquisa, conforme
procedimentos descritos por Field (2024) e Hair et al. (2019), dispostos na figura (6) na sequência:
Figura 6
Métodos e técnicas estatísticas utilizadas neste estudo
Análises
Referências
Estatística Descritiva
Triola (2021).
Regressão Multipla
Field (2024); Hair et al. (2019); Montgomery e Runger, (2020).
Análise Fatorial Exploratória.
Field (2024); Hair et al. (2019).
Análise Fatorial Confirmatória
Field (2024); Hair et al. (2019).
Fonte: Autores da pesquisa (2025).
A relação entre as variáveis foi examinada por meio de regressão linear múltipla, fundamentada nas
recomendações metodológicas de Field (2024), Hair et al. (2019) e Montgomery e Runger (2020).
4. Resultados e análises
4.1. Estatísticas descritivas gerais
As análises iniciaram-se com estatísticas descritivas para caracterizar o perfil dos respondentes e os
construtos investigados. Em seguida, foi calculado o Alfa de Cronbach para avaliar a confiabilidade das
escalas. Os dados também foram submetidos à Regressão Múltipla, Análise Fatorial Exploratória e
Scientia International Journal for Social Sciences 11 of 28
Confirmatória, conforme referências de Hair et al. (2019), Montgomery e Runger (2020) e Triola (2021).
A estatística descritiva permitiu: (a) descrever a amostra quanto à idade, identidade de gênero e
experiência prévia com as atividades; e (b) analisar a concentração das respostas com base no Desvio Padrão
e no Coeficiente de Variação, utilizando uma escala Likert de 5 pontos. As figuras 7, 8 e 9 apresentam,
respectivamente, a distribuição etária, a identidade de gênero e a experiência prévia dos participantes em
trilha e rapel.
Figura 7
Densidade de Idade
Fonte: Base de dados JASP (2025).
Os dados foram coletados a partir de seis experiências de turismo de natureza em Gravatá-PE, sendo
três em propriedades privadas e duas em áreas públicas. Após cada vivência, os participantes respondiam a
um questionário. Observou-se uma concentração etária entre 30 e 68 anos, indicando um público mais maduro
dado estratégico para organizadores locais. A análise de gênero revelou equilíbrio da amostra, sugerindo
uma observação de que trilhas e rapel de natureza atraem ambos os públicos de muitas faixas etárias,
principalmente dos 30+.
Figura 8
ID Gênero
Fonte: Base de dados JASP (2025).
Scientia International Journal for Social Sciences 12 of 28
A figura (9), apresenta o nível de intensidade nas práticas de trilha e rapel de natureza, ou seja, quem
participa das experiências e quem estava pela primeira vez. A amostra sugere que a maioria dos
participantes têm uma familiaridade ou experiências nas práticas, ou seja, entre os respondentes, a escala
Likert mostra entre os níveis 4 e 5 (Concordo totalmente e concordo parcialmente) que experienciaram
outras vezes as modalidades.
Figura 9
praticam experiências de trilha e rapel de natureza
Fonte: Base de dados JASP (2025).
A tabela (1), traz os dados descritivos gerais, com o Desvio Padrão de cada construto, ou seja, as
vezes o sujeito pesquisado experienciou o turismo de natureza em Gravatá-PE, sua satisfação com a
experiência vivenciada, sua intenção de retorno, sua postura com relação ao engajamento sustentável
(cuidado e zelo com a natureza), e a intenção que possui em recomendar essa experiência vivenciada por ele,
seja para outras pessoas próximas e conhecidas, e até divulgar em suas redes sociais.
Tabela 1
Estatísticas descritivas gerais
Variável
Válidos
Média
Desvio
padrão
Coeficiente de
variação
Prática de turismo de natureza
200
3.925
0.929
0.237
Experiência-Satisfação
200
17.465
2.312
0.132
Intenção de Retorno
200
8.085
1.318
0.163
Engajamento Sustentável
200
11.500
1.563
0.136
Intenção de Recomendação
200
17.840
1.828
0.102
Fonte: Base de dados JASP (2025).
A análise descritiva da tabela (1), revela os níveis gerais satisfatórios e de consistência interna nas
respostas em comparação com a média, principalmente no DP e CV. Os dados indicam normalidade padrão
aceitável desses índices (Triola, 2021).
Observou-se que os coeficientes de variação (CV) das variáveis analisadas variaram entre 10,2% e
Scientia International Journal for Social Sciences 13 of 28
23,7%, indicando baixa a moderada variabilidade relativa. As variáveis Intenção de Recomendação (CV =
10,2%), Experiência de Satisfação (CV = 13,2%) e Engajamento Sustentável (CV = 13,6%) apresentaram
excelente homogeneidade entre as respostas, evidenciando uma boa consistência nos dados.
A variável Intenção de Retorno apresentou boa estabilidade (CV = 16,3%). Embora Prática de
Turismo na Natureza tenha registrado o maior coeficiente de variação (CV = 23,7%), o valor permanece
aceitável para escalas Likert de 5 pontos. Os desvios padrão confirmam essa interpretação, indicando que a
dispersão relativa dos dados está dentro dos limites adequados para o estudo.
Alfa de Cronbach (Teste)
Em seguida, foi calculado o Alfa de Cronbach para avaliar a confiabilidade interna das escalas.
Conforme Hair et al. (2019), valores acima de 0,7 são considerados satisfatórios, garantindo a fidedignidade
do instrumento e a redução de erros de medição. A tabela (2) apresenta o valor geral das escalas e a tabela (3)
apresenta os resultados de cada escala utilizada.
Tabela 2
Alfa de Cronbach (teste)
95% CI
Coefficient
Estimate
Std. Error
Lower
Upper
Coefficient α
0.903
0.031
0.741
0.864
Fonte: Base de dados JASP (2025).
Os dados apresentam-se indicando que as escalas utilizadas no estudo possuem alta confiabilidade
interna, conforme indicado pelo Alfa de Cronbach geral de 0,903. Esse valor demonstra que os itens do
instrumento são altamente consistentes entre si, o que reforça a validade das medidas aplicadas. A seguir, a
tabela (3) com valores das escalas individuais:
Tabela 3
Alfa de Cronbach individual (itens)
Item
Coefficient α (if item dropped)
Estimate
Lower 95% CI
Upper 95% CI
Engajamento Sustentável
0.755
0.671
0.739
Experiência/Satisfação
0.886
0.746
0.725
Intenção de Recomendação
0.805
0.740
0.770
Intenção de Retorno
0.803
0.623
0.782
Fonte: Base de dados JASP (2025).
Cada item da escala foi analisado individualmente, com coeficientes entre 0,755 e 0,878. A Satisfação
com a experiência se destacou pela alta consistência, enquanto Engajamento Sustentável apresentou leve
Scientia International Journal for Social Sciences 14 of 28
variação, mas ainda dentro do aceitável. Intenção de Recomendação e Intenção de Retorno também mostraram
boa confiabilidade, confirmando sua importância na mensuração do construto (Hair et al., 2019).
4.2. Análise fatorial exploratória
Foi realizada a Análise Fatorial Exploratória para a possível identificação de padrões no conjunto de
variáveis deste estudo, assim essa análise possibilitará quais variáveis "andam juntas", auxiliando a compor
como resultados, blocos de fatores pertinentes para viabilizar uma análise fatorial confirmatória. Neste estudo
houve a possibilidade de compor dois fatores, cujo resultados foram analisados a partir dos dados da tabela
(4) a seguir:
Tabela 4
Chi-squared Test
Modelo
Valor
gl
p
Model 1
2.018
1
0.155
Fonte: Base de dados JASP (2025).
O teste de aderência ao modelo apresentou um valor de qui-quadrado (χ²) de 2,018, com 1 grau de
liberdade (gl) e nível de significância p = 0,155. Como o p-valor é superior a 0,05, conclui-se que o modelo
apresenta um bom ajuste aos dados. A seguir os dados das cargas fatoriais exploratórias (Tabela 5):
Tabela 5
Cargas fatoriais
Variável
Fator 1
Fator 2
Singularidade
Intenção de Retorno
0.903
0.177
Engajamento sustentável
0.812
0.403
Experiência-Satisfação
0.684
0.345
Intenção de Recomendação
0.903
0.214
Nota. O método de rotação aplicado é Promax.
Fonte: Base de dados JASP (2025).
As cargas fatoriais foram obtidas utilizando o método de rotação Promax, que permite a correlação
entre fatores. Os resultados indicaram a formação de dois fatores principais. O Fator 1 agrupou as variáveis
Intenção de Retorno (0,888), Engajamento Sustentável (0,841) e Experiência-Satisfação (0,640), sugerindo
a presença de um fator relacionado à ‘Lealdade e Satisfação dos turistas’ que experienciaram a trilha e o
rapel de natureza (amostra), e o Fator 2 apresentou alta carga na variável Intenção de Recomendação (0,903),
indicando um fator associado à ‘Promoção e Recomendação’, ou seja, os turistas atuando como divulgadores
e ampliadores dessas experiências turísticas. Essas cargas podem ser compreendidas também, a partir do
Diagrama de Caminhos, representado na figura (10):
Scientia International Journal for Social Sciences 15 of 28
Figura 10
Diagrama de Caminhos
Fonte: Base de dados JASP (2025).
A partir das análises, os autores deste estudo denominarão o Fator 1 de ‘Lealdade do consumidor do
turismo de aventura de natureza’ e o Fator 2 de ‘Propagação espontânea das experiências no turismo de
aventura de natureza’. O diagrama de caminhos (Figura 9) traz as ligações importantes entre os fatores RC1
e RC2 e as variáveis, e uma análise fundamental para que o leitor deste estudo compreenda as razões do fator
RC2 se apresentar isolado dos demais.
O diagrama apresenta fortes cargas positivas no fator RC1 (setas espessas e verdes) para: 1. Intenção
de Retorno; 2. Experiência/Satisfação; 3. Engajamento Sustentável; Isso indica que este fator agrupa variáveis
relacionadas à vivência individual do turista e seus efeitos no comportamento de retorno. Ele pode ser
interpretado como um "Fator de lealdade e fidelização". O fator RC2, apresenta forte carga positiva apenas
sobre a Intenção de Recomendação (seta espessa e verde).
As demais conexões com Engajamento Sustentável e Experiência/Satisfação aparecem com setas
mais finas ou vermelhas, sugerindo cargas fracas ou negativas, ou até não significativas. Isso indica que RC2
representa uma dimensão distinta, relacionada à disposição de recomendar a experiência, ou seja, um "Fator
de Propagação espontânea da experiência", podendo ser um forte indicativo de que mesmo os turistas
satisfeitos com a experiência e engajados às causas pró-ambientais, nem sempre recomendam a experiência
por diversos fatores: preferências pessoais dos seus pares, percepção de risco, perfil dos amigos ou familiares,
entre outros. Isso pode explicar a autonomia estatística da variável, justificando sua formação como um fator
próprio.
Scientia International Journal for Social Sciences 16 of 28
4.3. Análise fatorial confirmatória
Por último, a Análise Fatorial Confirmatória foi utilizada de acordo com (Hair et al., 2019), seguindo
o modelo teórico proposto e os fatores da AFE, a AFC foi pertinente neste estudo, pois como utilizou-se
previamente o modelo teórico, esta análise possibilitará seu teste e validação, ou seja, verificando se a
estrutura dos dados se ajusta à estrutura proposta, a partir da figura (11), a seguir:
Figura 11
Diagrama do modelo
Fonte: Base de dados JASP (2025).
O diagrama do modelo da Análise Fatorial Confirmatória (AFC) demonstra a relação entre a variável
latente F2 e os indicadores observados: Experiência/Satisfação (ESç), Intenção de Retorno (IçR),
Engajamento Sustentável (EnS) e Intenção de Recomendação (IRç). À variável latente F2, será atribuído um
nome idealizado pelos autores deste estudo com relação aos resultados: ‘Fidelização Experiencial’ no turismo
de aventura de natureza em Gravatá-PE. Ela apresenta uma variância de 1,00 refletindo sua forte consistência
interna com relação ao modelo teórico do estudo.
As cargas fatoriais padronizadas representam a força da relação entre o fator latente Ft2 e cada uma
das variáveis observadas. Em geral, uma carga fatorial 0,70 é considerada forte; entre 0,50 e 0,69, moderada;
entre 0,30 e 0,49, fraca; e abaixo de 0,30, muito fraca. ESç (Experiência/Satisfação): carga = 1,28 (fixada,
traço pontilhado), erro = 0,22, valor não padronizado, serve como parâmetro de referência para o modelo;
erro baixo.
O índice IçR (Intenção de Retorno): carga fatorial = 1,14 (não padronizada), com erro de medida =
0,10, indica excelente explicação pelo fator Ft2, com um erro muito baixo. EnS (Engajamento Sustentável):
carga = 0,84, erro = 0,34, carga alta, com erro moderado. IRç (Intenção de Recomendação): carga = 0,49,
Scientia International Journal for Social Sciences 17 of 28
erro = 1,19, carga fraca, erro alto, indicando que a variável tem pouca explicação pelo fator. Isso pode indicar
que a intenção de recomendar não está fortemente vinculada ao fator Ft2 representado por ‘Fidelização
Experiencial’, pelo menos na forma como foi mensurada.
4.4. Regressão linear múltipla
A seguir (Tabela 6), serão apresentados os resultados da Regressão Linear Múltipla, abordando o
impacto das variáveis independentes sobre as dependentes. Essa análise é relevante por possibilitar previsões
precisas, avaliar influências e significâncias, e apoiar a tomada de decisões. As próximas tabelas apresentam
a 1ª análise H1 e H2.
Tabela 6
Resumo do modelo Intenção de Retorno H1 e H2
Teste Durbin-Watson
Durbin-
Watson
Modelo
R
R² ajustado
RMSEA
Autocorrelação
Estatísticas
p
M₀
0.701
0.492
0.489
0.742
0.907
0.176
< .001
M₁
0.789
0.622
0.618
0.714
0.901
0.197
< .001
Nota. M₀ includes Experiência-Satisfação
Nota. M₁ includes Experiência-Satisfação, Engajamento Sustentável
Fonte: Base de dados JASP (2025).
A Tabela (6) compara os modelos M₀ (com apenas Experiência/Satisfação) e M₁
(Experiência/Satisfação + Engajamento Sustentável). O modelo M₀ apresentou = 0,492, enquanto M₁
obteve = 0,622, indicando um aumento de 13,1% no poder explicativo com a adição do Engajamento
Sustentável. Ambos os modelos são estatisticamente significativos (p < 0,001), sendo que o modelo completo
(M₁) explica 62,2% da variância na Intenção de Retorno. O índice RMSEA, que avalia o ajuste do modelo,
reduziu de 0,742 (M₀) para 0,714 (M₁), situando-se entre 0,05 e 0,08, o que representa um bom ajuste. O teste
de Durbin-Watson apontou autocorrelação positiva dos resíduos (valor = 0,9). A tabela (7) traz o índice
ANOVA.
Tabela 7
Índice de variância ANOVA
Modelo
Componente
Soma dos quadrados
gl
Média quadrática
F
p
M₀
Regressão
169.875
1
169.875
191.458
< .001
Resíduos
175.680
198
0.887
Total
345.555
199
M₁
Regressão
214.986
2
107.493
162.183
< .001
Resíduos
130.569
197
0.663
Total
345.555
199
Scientia International Journal for Social Sciences 18 of 28
Nota. M₀ includes Experiencia-Satisfação.
Nota. M₁ includes Experiencia-Satisfação, Engajamento Sustentável
Fonte: Base de dados JASP (2025).
A Experiência/Satisfação isoladamente explicou 49,2% da variância, e a inclusão do Engajamento
Sustentável aumentou substancialmente a qualidade do modelo, como detalhado na Tabela 5 (índice
ANOVA). Esse índice mostra uma análise especialmente de regressão, testando se o modelo como um todo
é significativo, ou seja, se as variáveis independentes conseguem explicar a variável dependente. Na análise
da tabela (7), a variância (ANOVA) demonstrou que ambos os modelos testados são estatisticamente
significativos (p < 0,001), indicando que as variáveis independentes contribuem de maneira relevante para
explicar a variável dependente Intenção de Retorno.
O modelo inicial (M₀), que inclui apenas a variável Experiência/Satisfação, apresentou uma estatística
F de 191,458 e explicou uma parcela significativa da variabilidade dos dados. Ao incluir a variável
Engajamento Sustentável (modelo M₁), observou-se um aumento na soma dos quadrados de regressão e uma
redução nos resíduos, refletindo em uma melhoria do ajuste do modelo, ainda que a estatística F tenha
diminuído para 162,183, mantendo-se altamente significativa. Para finalizar as análises das Hipóteses H1 e
H2, foi calculado o coeficiente de regressão, na tabela (8) e a correlação parcial (tabela 8) a seguir:
Tabela 8
Coeficientes de regressão
Modelo
Preditor
Não padronizado
Erro padrão
Padronizado
t
p
M₀
Exp-Satisfação
0.400
0.029
0.701
13.837
< .001
M₁
Exp-Satisfação
0.270
0.030
0.473
9.142
< .001
Engaj. Sustentável
0.360
0.044
0.427
8.250
< .001
Fonte: Base de dados JASP (2025).
Os resultados da regressão múltipla indicaram que a Experiência/Satisfação exerce forte influência
positiva sobre a Intenção de Retorno (β = 0,701; p < 0,001). Com a inclusão da variável Engajamento
Sustentável (Tabela 8), observou-se que ambas impactam de forma positiva e significativa a variável
dependente Intenção de Retorno, onde (β Experiência/Satisfação = 0,473; β Engajamento Sustentável =
0,427; p < 0,001). Observou-se também, (tabela 9) as correlações parciais e de parte das hipóteses H1 e H2:
Tabela 9
Correlações parciais e de parte
Modelo
Preditor
Parcial
Parte
M₀
Experiência-Satisfação
0.701
0.701
M₁
Experiência-Satisfação
0.546
0.400
Engajamento Sustentável
0.507
0.361
Fonte: Base de dados JASP (2025).
Scientia International Journal for Social Sciences 19 of 28
A introdução da variável Engajamento Sustentável reduziu levemente a correlação entre
Experiência/Satisfação e Intenção de Retorno, indicando que ambas exercem influência positiva sobre esse
desfecho. As correlações parciais confirmam a relevância dos dois construtos, demonstrando que cada um
contribui de forma significativa para explicar a intenção de retorno de turistas que praticam trilha e rapel.
As hipóteses H1 (Experiência/Satisfação) e H2 (Engajamento Sustentável) foram confirmadas,
evidenciando que a combinação entre qualidade da experiência e responsabilidade ambiental favorece a
fidelização dos visitantes. Os dados também mostram que o turista engajado valoriza tanto o lazer quanto a
preservação do destino, apontando para uma estratégia promissora de desenvolvimento sustentável do turismo
de aventura em Gravatá.
As hipóteses H3 e H4, que analisam a influência do engajamento sustentável na intenção de retorno
e na intenção de recomendação, serão discutidas a seguir. A tabela (10) resume o modelo com foco na
intenção de recomendação; a tabela (11) apresenta o índice de variância (ANOVA); a tabela (12), os
coeficientes de regressão; e a tabela (13), as correlações parciais e de parte todas explicadas na sequência
na 2ª análise Hipóteses H3 e H4
Tabela 10
Resumo do modelo Intenção de Recomendação
Teste Durbin-Watson
Durbin-
Watson
Modelo
R
R² ajustado
RMSEA
Autocorrelação
Estatísticas
p
M₀
0.000
0.156
0.205
0.611
0.148
0.095
< .001
M₁
0.453
0.205
0.197
0.715
0.163
0.163
< .001
Nota. M₁ includes Experiência-Satisfação, Engajamento Sustentável
Fonte: Base de dados JASP (2025).
Tabela 11
Índice de variância ANOVA
Modelo
Componente
Soma dos quadrados
gl
Média quadrática
F
p
M₀
Regressão
103.543
1
103.543
36.523
< .001
Resíduos
561.337
198
2.835
Total
664.880
199
M₁
Regressão
136.250
2
68.125
25.388
< .001
Resíduos
528.630
197
2.683
Total
664.880
199
Nota. M₀ includes Experiência-Satisfação
Fonte: Base de dados JASP (2025).
Scientia International Journal for Social Sciences 20 of 28
Tabela 12
Coeficientes de regressão
Modelo
Preditor
Não padronizado
Erro padrão
Padronizado
t
p
M₀
(Intercept)
12.391
0.909
13.625
< .001
Exp. Satisfação
0.312
0.052
0.395
6.043
< .001
M₁
(Intercept)
13.987
0.996
14.045
< .001
Exp. Satisfação
0.423
0.059
0.534
7.117
< .001
Engaj. Sustentável
-0.307
0.088
-0.262
-3.491
< .001
Fonte: Base de dados JASP (2025).
Tabela 13
Correlações parciais e de parte
Modelo
Preditor
Parcial
Parte
M₀
Experiência-Satisfação
0.395
0.395
M₁
Experiência-Satisfação
0.452
0.452
Engajamento Sustentável
-0.241
-0.222
Fonte: Base de dados JASP (2025).
Os resultados da regressão múltipla indicam que o modelo M₁, que inclui as variáveis Experiência
Satisfação e Engajamento Sustentável, apresentou maior poder explicativo da intenção de recomendação (R²
= 0,205) em comparação ao modelo M₀, que considera apenas a variável Experiência Satisfação (R² = 0,156).
A diferença de 4,9% na variância explicada (Δ= 0,049) sugere que a adição do segundo preditor melhora
significativamente o modelo, ainda que com pequeno aumento no RMSEA (de 0,611 para 0,715), ambos
dentro dos limites de aceitabilidade para pesquisas em ciências sociais aplicadas.
A significância dos modelos foi confirmada pela análise de variância (ANOVA), com valores de F
estatisticamente significativos (p < 0,001). Além disso, os valores da estatística Durbin-Watson situaram-se
dentro do intervalo de 1,5 a 2,5, indicando independência dos resíduos e cumprimento das premissas básicas
da regressão linear. Assim, o modelo M₁ é considerado mais robusto, equilibrando qualidade de ajuste com
maior capacidade explicativa.
A variável Experiência-Satisfação apresenta um coeficiente padronizado de 0,395 no modelo M₀, com
um valor de t (6,043) altamente significativo (p < 0,001). Esse resultado confirma que a satisfação nas
experiências no turismo de aventura de natureza tem um efeito positivo e relevante na Intenção de
Recomendação. Ao ser incluída a variável Engajamento sustentável no modelo M₁, o coeficiente padronizado
de Experiência-Satisfação aumenta para 0,534, com t = 7,117 (p < 0,001), o que sugere um fortalecimento
desse efeito. Portanto, podemos concluir que a hipótese H3 relacionada à influência positiva de Experiência-
Satisfação na Intenção de Recomendação é confirmada, e se mantém relevante.
Scientia International Journal for Social Sciences 21 of 28
A variável Engajamento sustentável apresentou coeficiente negativo significativo no modelo M₁ (β =
-0,262; t = -3,491; p < 0,001), indicando que maior engajamento está associado a menor intenção de
recomendação. A correlação parcial de -0,241 reforça essa relação inversa, levando à rejeição da hipótese H4,
que propunha um efeito positivo. Uma possível explicação é que turistas engajados sustentavelmente nem
sempre se tornam promotores ativos dessas experiências. Em contrapartida, a hipótese H3 confirma que a
satisfação influencia positivamente a recomendação. A análise de regressão mostra que as hipóteses H1 e H2
explicam positivamente a intenção de retorno, H3 confirma o impacto da satisfação na recomendação, e H4
revela que o engajamento sustentável não influencia essa intenção. O Mapa de Hipóteses (Figura 12) resume
esses achados.
Figura 12
Mapa das Hipóteses
Hipótese
Relação testada
Força
Situação
H1
Satisfação com a Experiência → Intenção de Retorno
IMPACTA (+)
Corroborada
H2
Engajamento Sustentável → Intenção de Retorno
IMPACTA (+)
Corroborada
H3
Satisfação com a Experiência → Intenção de Recomendação
INFLUENCIA (+)
Corroborada
H4
Engajamento Sustentável → Intenção de Recomendação
NÃO INFLUENCIA
(-)
Refutada
Fonte: Autores da pesquisa (2025).
5. Análises dos resultados
A análise dos resultados revela que o engajamento sustentável tem papel significativo na explicação
da intenção de retorno dos turistas às atividades de trilha e rapel em Gravatá-PE. O modelo inicial, baseado
apenas na variável Experiência/Satisfação, apresentava bom desempenho. No entanto, com a inclusão do
engajamento sustentável, conforme discutido por Ordiñana-Bellver et al. (2024) e Li (2022), contudo houve
ampliação da capacidade explicativa do modelo, ao evidenciar a influência de fatores como responsabilidade
ambiental e consciência ecológica sobre o comportamento, bem-estar e saúde dos turistas.
A robustez do modelo completo foi confirmada pela melhora nos indicadores de ajuste e pela análise
de variância (ANOVA), que apontou maior significância estatística com a presença do engajamento
sustentável como variável explicativa. A redução dos resíduos e o aumento da variância explicada reforçam
o entendimento de que práticas sustentáveis qualificam a fidelização no turismo de aventura, em consonância
com a proposta de Freitas (2021).
Apesar da Experiência/Satisfação continuar sendo o fator de maior peso na intenção de retorno, os
resultados da regressão múltipla mostram que o engajamento sustentável exerce influência complementar,
corroborando os estudos de Carú e Cova (2020), Scussel et al. (2022) e Cavalcanti (2024) sobre o valor
experiencial. Assim, turistas que associam prazer à vivência de práticas sustentáveis demonstram maior
Scientia International Journal for Social Sciences 22 of 28
disposição para retornar (Baker e Crompton, 2000; Rosa e Dos Anjos, 2022).
As correlações parciais confirmam a relevância conjunta desses dois construtos: a fidelização turística
está ancorada tanto na qualidade da experiência quanto na conexão com valores ambientais (Leopoldo et al.,
2024; Rodrigues et al., 2024). Esses achados validam as hipóteses H1 e H2 (experiência e engajamento
influenciam positivamente a intenção de retorno) e confirmam a H3, que associa a satisfação à intenção de
recomendação.
Dessa forma, reforça-se a necessidade de estratégias integradas que continuem oferecendo
experiências memoráveis (Cavalcanti, 2024), mas que simultaneamente, engajem o turista em ações
sustentáveis (Bezerra e Lima, 2023). Isso aponta um caminho promissor para o turismo em Gravatá-PE, onde
a valorização ambiental pode se consolidar como diferencial competitivo e componente central na construção
da lealdade do visitante (De Brito Alves et al., 2024).
Assim, os dados indicam que a construção de destinos mais sustentáveis exige uma abordagem
holística, em que lazer e natureza estejam integrados ao cuidado ambiental (Oliveira et al., 2023; Trevisan
e Oliveira, 2024). Os dados confirmam que os turistas não buscam apenas lazer, mas experiências alinhadas
aos seus valores, o que pode ser um fator de fortalecimento e ampliação do papel estratégico do marketing
turístico não somente para Gravatá, mas que se estenda para toda região do agreste de Pernambuco. Os
resultados obtidos por meio da análise fatorial exploratória (AFE), com rotação Promax, revelaram a
formação de dois fatores psicométricos bem definidos e com boa aderência ao modelo, onde o Fator 1,
podendo ser denominado ‘Lealdade do consumidor do turismo de aventura de natureza’, agrupa fortemente
as variáveis Intenção de Retorno,
Engajamento Sustentável e Experiência/Satisfação.
Esta estrutura fatorial indica a existência de um núcleo de significados comportamentais associados à
fidelização do turista, cujos vínculos com o destino não se limitam à experiência pontual, mas se expandem
para dimensões emocionais e atitudinais (Scussel et al., 2022). Em outras palavras, quanto maior a satisfação
com a experiência e o engajamento com os valores ambientais do local, maior a probabilidade de o turista
desejar retornar.
O Fator 2, nomeado pós-análise como "Propagação espontânea das experiências no turismo de
aventura de natureza", apresentou impacto mais restrito sobre a intenção de recomendação. Embora o
engajamento sustentável contribua positivamente para o impacto no retorno, os dados indicam que o
engajamento sustentável do turista-adepto não influencia o ato de recomendar o destino, ou seja, não é
consequência direta do engajamento ambiental.
Scientia International Journal for Social Sciences 23 of 28
A intenção de recomendação do destino turístico pesquisado parece depender de variáveis contextuais
e sociais, que vai além do engajamento sustentável do adepto, como o perfil da rede de contatos, percepção de
risco ou compatibilidade da experiência com os interesses de terceiros. Assim, a Hipótese H4, que previa
influência direta do engajamento sustentável na recomendação, foi refutada, sendo essa uma decisão mais
autônoma e multifacetada.
Essa diferenciação entre os fatores ajuda a compreender os níveis distintos de resposta
comportamental do turista: o retorno está fortemente associado à experiência subjetiva e aos valores
individuais, enquanto a recomendação envolve mediações sociais mais complexas. O modelo fatorial,
portanto, revela que retorno e recomendação são comportamentos distintos, embora ambos os relevantes para
estratégias de marketing e gestão do turismo de aventura de natureza de Gravatá-PE.
A Análise Fatorial Confirmatória (AFC) revelou que a variável latente idealizada neste estudo para
representar o vínculo dos turistas com as experiências de aventura de natureza em Gravatá-PE, apresenta alta
consistência interna com o modelo teórico proposto. A partir das cargas fatoriais, observou-se que três dos
quatro indicadores analisados se associam de forma significativa ao fator. A Intenção de Retorno e a
Experiência/Satisfação demonstraram forte relação com a fidelização, com cargas elevadas e baixos erros de
medida, o que confirma seu papel central no processo de vinculação dos turistas à experiência vivida.
O Engajamento Sustentável na intenção de retorno também apresentou uma carga elevada, ainda que
com um erro moderado, o que indica uma influência relevante, porém com alguma variabilidade. a Intenção
de Recomendação revelou novamente uma carga fatorial fraca e erro elevado, sugerindo que, embora
importante, essa variável não é diretamente explicada pelo construto da forma como concebido neste modelo.
Nesse sentido, essa dissociação pode refletir o caráter mais social e relacional do ato de recomendar,
que pode depender de outros fatores, como o perfil da rede social do turista ou a percepção de risco da
atividade para outros. Em síntese, os resultados reforçam a validade do fator latente como representação da
lealdade construída a partir da vivência pessoal no turismo de aventura, mas também apontam limites na sua
capacidade de explicar comportamentos voltados à disseminação da experiência.
Os resultados também enfatizam a importância do tema pesquisado, na agenda 2030 e em alguns ODS
são fortemente encontrados, tais quais marcados por ordem de importância na figura (13):
Figura 13
ODS da agenda 2030 e relação com os resultados do estudo
Scientia International Journal for Social Sciences 24 of 28
1
2
3
4
5
Fonte: Autores da pesquisa (2025).
De acordo com Dotto et al. (2022) e Iwamoto et al. (2024), os achados dialogam diretamente com
diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), reforçando a relevância do turismo de aventura
como vetor de transformação social e ambiental. Mais fortemente, a prática de trilhas e rapel em ambientes
naturais está alinhada ao ODS 3 (Saúde e Bem-estar), ao promover experiências de lazer que contribuem para
o equilíbrio físico e emocional dos turistas-adeptos.
O engajamento sustentável relatado pelos turistas também evidencia uma sensibilização ambiental
que se relaciona com os ODS 13 (Ação Climática), 14 (Vida na Água) e 15 (Vida Terrestre), ao despertar
comportamentos pró-ambientais e ampliar a consciência sobre a preservação de ecossistemas locais. Além
disso, a inclusão de mulheres nas atividades e a percepção de equidade nas experiências conectam-se ao ODS
5 (Igualdade de Gênero), enquanto aspectos como o uso consciente da água e o cuidado com resíduos sólidos
durante as práticas da trilha e do rapel de natureza encontram ressonância no ODS 6 (Água Limpa e
Saneamento).
Ainda que de forma mais transversal, os resultados também apontam contribuições aos ODS 4
(Educação de Qualidade), 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), 9 (Inovação e Infraestrutura) e
11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), na medida em que promovem educação informal, estimulam a
economia local, valorizam o patrimônio natural e favorecem a sustentabilidade de destinos turísticos
emergentes como Gravatá.
Esse resultado é particularmente relevante no campo do marketing, pois reforça a importância de
possíveis estratégias que envolvam o turista como protagonista de práticas sustentáveis. Nesse contexto, a
recomendação espontânea, motivada tanto pela satisfação quanto pelo alinhamento ético-ambiental,
representa um tipo possibilidade orgânica e da divulgação de Gravatá-PE como roteiro para o turismo de
aventura de natureza e do alto valor simbólico e potencial de alcance da trilha e do rapel na região do agreste
pernambucano diante a sustentabilidade ambiental (Severo e Guimarães, 2017).
6. Conclusão
A partir das análises quantitativas, especialmente a análise fatorial (exploratória e confirmatória) e
regressão múltipla, comprovou-se que a Experiência/Satisfação permanece como principal fator de influência
Scientia International Journal for Social Sciences 25 of 28
sobre a fidelização do turista, mas que seu efeito é significativamente potencializado quando associado ao
Engajamento Sustentável. evidenciando a relevância desta construção como variável que impacta
positivamente a intenção de retorno no contexto do turismo de aventura de natureza em Gravatá-PE.
As análises sugeriram ainda a formação de dois fatores distintos: Lealdade do consumidor e
Propagação espontânea da experiência, revelando a força das hipóteses H1, H2 e H3 do modelo proposto, mas
que por sua vez a hipótese H4 mostrou-se enfraquecida cuja intenção de recomendar o turismo de aventura de
natureza em Gravatá-PE é um comportamento mais autônomo dos sujeitos da amostra, e que pode ser
mediado por outras variáveis sociais, e não diretamente influenciado pelo engajamento sustentável.
Essa diferenciação contribui de forma significativa para o campo do marketing, tanto como ciência
quanto como prática de mercado. Do ponto de vista científico, a pesquisa reforça a necessidade de modelos
teóricos integradores, que considerem valores éticos e ambientais como componentes estratégicos da
experiência do consumidor para o turismo de aventura de natureza em Gravatá-PE. Já no plano
mercadológico, os achados oferecem subsídios para a elaboração de estratégias de fidelização baseadas na
sustentabilidade, promovendo o turista não apenas como consumidor, mas como agente de transformação
ambiental e divulgador espontâneo do destino e das vivências.
Além disso, os resultados trazem propostas modernas e atuais de diálogo, cruzando os resultados
diretamente com a Agenda 2030 da ONU, sobretudo com os ODS 3, 5, 6, 13, 14 e 15, ao mostrarem que
experiências turísticas conscientes podem fomentar bem-estar, igualdade de gênero, educação ambiental de
qualidade e conservação do ecossistema do agreste pernambucano. Comprovando que a interface entre
turismo, sustentabilidade e marketing fortalece o papel das experiências de aventura na natureza como vetor
de desenvolvimento local e sensibilização ecológica.
As contribuições acadêmicas estão atreladas a validação do modelo teórico, por meio da análise das
variáreis, o que poderá ser utilizado em outras pesquisas e contribui para o avanço da ciência.
Como sugestões para pesquisas futuras, recomenda-se o aprofundamento dos fatores sociais que
influenciam a intenção de recomendação, considerando variáveis como capital social, perfil da rede de
contatos e percepção de risco. Também se indica a replicação do estudo em outros contextos turísticos e
biomas, ampliando a validade externa do modelo e explorando diferenças culturais, regionais e sazonais que
possam influenciar a fidelização experiencial.
7. Referências
Baker, D. A., & Crompton, J. L. (2000). Quality, satisfaction and behavioral intentions. Annals of tourism
research, 27(3), 785-804. https://doi.org/10.1016/S0160-7383(99)00108-5
Scientia International Journal for Social Sciences 26 of 28
Bezerra, T. R. de Q., & Lima, A. S. (2023). Processo de análise hierárquica para definição do melhor
destino turístico de Pernambuco. Caderno Virtual De Turismo, 23(2), 5979.
https://doi.org/10.18472/cvt.23n2.2023.2075
Borges, A. A., Santos, I. S. dos, & Santos Lobo, H. A. (2025). “Essa experiência na Chapada dos Veadeiros
transformou minha vida”: motivações espirituais dos viajantes na natureza. Ateliê Do Turismo, 9(1),
20 - 49. https://doi.org/10.55028/at.v9i1.22361
Borja, I. M. F. de S., & Corbin, H. P. (2025). DESVENDANDO EXPERIÊNCIAS TURÍSTICAS NA
ILHA DO MARAJÓ: MOTIVAÇÕES E ESCOLHAS RUMO A UM TURISMO SUSTENTÁVEL.
Turismo: Visão E Ação, 27, e20269. https://doi.org/10.14210/tva.v27.20269
Calegari, F. L., Menegasso, J. D., Ladwig, N. I., Marcelino, A. R., & Dias, A. de O. (2020). ROTEIRO
“CAMINHOS DE GRAVATÁ”: TURISMO RURAL PEDAGÓGICO NO MUNICÍPIO DE
GRAVATAL - SANTA CATARINA. Tecnologia E Ambiente, 26, 7694.
https://doi.org/10.18616/ta.v26i0.6231
Carú, A., & Cova, B. (2020). Experiencing consumption: Appropriating and marketing experiences. In
Marketing Management (pp. 139-152). Routledge.
Cavalcanti, Rodrigo. O que é experiência do consumidor?: Investigando a vida no consumo. Recife, 2024.
DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.11262634.
Cavalcanti, Rodrigo. O que os consumidores querem?: Mapeando o valor experiencial. Recife, 2024. DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.13171535.
De Brito Alves, A. E., Damascena, E. O., & de Melo Ataíde, L. C. (2024, October). AVENTURAS
RADICAIS NA NATUREZA: MAPEANDO O VALOR EXPERIENCIAL DO CONSUMO EM
TRILHA E RAPEL. In XXIV MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, PÓS-GRADUAÇÃO,
PESQUISA E EXTENSÃO-PPGA UCS. Disponível em:
https://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/mostraucsppga/xxivmostrappgaucs/paper/viewFile/7
916/2551
Dotto, D. M. R., Soares, P. F., & De Paula, F. Z. (2022). As atividades do setor de turismo sob a
perspectiva dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Revista Eletrônica de
Administração e Turismo-ReAT, 16(2), 1-20. https://doi.org/10.15210/reat.v16i2.1772
Ertaş, M., Sykes, D. & Cater, C. (2022). Effects of motorcycle group membership on the ride experience
and travel motivators: A comparison between the USA, the UK, and Turkey. Zeitschrift für
Tourismuswissenschaft, 14(3), 333- 350. https://doi.org/10.1515/tw-2022-0012
Field, A. (2018). Discovering Statistics Using IBM SPSS Statistics (5ª ed.).
Freitas, A. A. D. (2021). Efetividade das políticas públicas do turismo no município de Gravatá-PE: uma
proposta de implantação de um sistema de monitoramento e acompanhamento para sua gestão.
Disponível em: https://repositorio.ifpe.edu.br/xmlui/handle/123456789/552.
Hair, J. F., Black, W. C., Babin, B. J., & Anderson, R. E. (2019). Multivariate Data Analysis (8ª ed.).
Cengage Learning.
Högström, C., Rosner, M. and Gustafsson, A. (2010), "How to create attractive and unique customer
experiences: An application of Kano's theory of attractive quality to recreational tourism",
Marketing Intelligence & Planning, Vol. 28 No. 4, pp. 385- 402.
https://doi.org/10.1108/02634501011053531
Iwamoto, H. M., Leal, V. de A., & Cançado, A. C.. (2024). Mosaico do Jalapão: perspectivas e desafios
para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Sociedade &
Natureza, 36, e70921. https://doi.org/10.14393/SN- v36-2024-70921
Jannach, D., Ludewig, M., & Lerche, L. (2017). Session-based item recommendation in e-commerce: on
short-term intents, reminders, trends and discounts. User Modeling and User-Adapted Interaction,
27, 351-392. https://doi.org/10.1007/s11257-017-9194-1
Koga, Érika S., Bastos, A. A. R., Coelho, M. de F., & Santos, G. E. de O. (2025). Atributos dos destinos
que promovem experiências turísticas memoráveis: adaptação e validação de escala: adaptação e
validação de escala. PODIUM Sport, Leisure and Tourism Review, 14(1), 2459.
https://doi.org/10.5585/2025.26004
Leopoldo, Eudes, Queiroz Pereira, Alexandre, & Salinas, Luis. (2024). Producción y financierización de
complejos inmobiliario-turísticos en el Sur Global: Nuevos negocios y estrategias en el Nordeste
brasileño y el Caribe mexicano. Revista de geografía Norte Grande, (89), 00109.
https://dx.doi.org/10.4067/S0718-34022024000300009
Li, Q. (2022). Effects of forest environment (Shinrin-yoku/Forest bathing) on health promotion and disease
prevention—the Establishment of “Forest Medicine”—. Environmental health and preventive
medicine, 27, 43-43. https://doi.org/10.1265/ehpm.22-00160.
Loi, L. T. I., So, A. S. I., Lo, I. S., & Fong, L. H. N. (2017). Does the quality of tourist shuttles influence
revisit intention through destination image and satisfaction? The case of Macao. Journal of
Hospitality and Tourism Management, 32, 115-123. Doi https://doi.org/10.1016/j.jhtm.2017.06.002
Scientia International Journal for Social Sciences 27 of 28
Martins, P. C., & Silva, C. A. da. (2019). Turismo de Natureza ou na Natureza ou Ecoturismo? Reflexões e
contribuições sobre um tema em constante debate. Revista Turismo Em Análise, 29(3), 487-505.
https://doi.org/10.11606/issn.1984-4867.v29i3p487-505
Massini, V. S., do Vale, C. C., & Fonseca Filho, R. E. (2021). Uma visão da gestão da oferta do Turismo de
Natureza no Parque Nacional do Caparaó (ES/MG). Caderno Virtual De Turismo, 21(3), 1732.
https://doi.org/10.18472/cvt.21n3.2021.1838
Miller, M. C., Clausen, H. B., & Cater, C. (2022). Cultivating deep learning in field-based tourism courses:
finding purpose in “trouble”. Journal of Teaching in Travel & Tourism, 22(1), 50-67.
https://doi.org/10.1080/15313220.2021.2015739
Montgomery, D. C., & Runger, G. C. (2020). Applied Statistics and Probability for Engineers (7ª ed.).
Wiley.
Nguyen Viet, B., Dang, H.P., & Nguyen, H.H. (2020). Revisit intention and satisfaction: The role of
destination image, perceived risk, and cultural contact. Cogent Business & Management, 7(1),
1796249. https://doi.org/10.1080/23311975.2020.1796249.
Nguyen, TH-H. , Ha, TM , Dinh, CHN e Hoang, SD (2025), "Vozes verdes em espaços digitais: explorando
o impacto do compartilhamento de conhecimento no engajamento sustentável e eWOM no turismo",
Journal of Hospitality and Tourism Insights , Vol. 8 No. 3, pp. 1195-1213.
https://doi.org/10.1108/JHTI-05-2024-0476
Nyaupane, G. P. (2023). The Role of Tourism in Sustainable Development Within Local??? Global
Dynamics. Tourism Review International, 27(3-4), 177- 186.
https://doi.org/10.3727/154427223X16819417821813. Ordiñana-Bellver, D., Aguado-Berenguer,
S., Pérez-Campos, C., & González-Serrano,
M. H. (2024). Exploring nature-based physical activity as a catalyst for sustainable entrepreneurial
intentions in sport science students. Journal of Hospitality, Leisure, Sport & Tourism Education, 34,
100482. https://doi.org/10.1016/j.jhlste.2024.100482.
Oliveri, A.M., Polizzi, G. & Parroco, A.M. (2019). Measuring Tourist Satisfaction Through a Dual
Approach: The 4Q Methodology. Soc Indic Res 146, 361382. https://doi.org/10.1007/s11205-018-
2013-1.
Oliveira, M. da P. da C. V. de, Aquino, C. M. S. de ., & Aquino, R. P. de . (2023). Mas, afinal, o que é
Turismo, Geoturismo, Turismo de Natureza, Turismo de Aventura, Ecoturismo e Turismo Rural?.
Geoconexões Online, 3(2), 6680. https://doi.org/10.53528/geoconexes.v3i2.128
Piva, C. A., Luiz, G. V., de Souza, A. L., & Porto, R. S. (2025). NÍVEL DE ENGAJAMENTO
AMBIENTAL: UMA PROPOSTA DE MENSURAÇÃO. Desafio Online, 13(1). DOI:
10.55028/don. v13i1.20974.
Rodrigues, F. do N., & Dantas, E. W. C. (2024). IMAGÉTICAS DE UM NORDESTE BRASILEIRO
PLURAL, DIVERSO E MULTIFACETADO. Revista Eletrônica Da Associação Dos Geógrafos
Brasileiros, Seção Três Lagoas , 1(38), 148-171. https://doi.org/10.55028/agb-tl.v1i38.18405
Rosa, S. da, & Anjos, F. A. dos. (2022). Competitividade de destinos turísticos baseados na natureza:
estudo em parques nacionais no Brasil. Revista Turismo Em Análise, 33(1), 72-94.
https://doi.org/10.11606/issn.1984-4867.v33i1p72-94
Severo, E. A., & Guimarães, J. C. F. de. (2017). TRAJETÓRIAS E PERSPECTIVAS DA
SUSTENTABILIDADE E PRÁTICAS AMBIENTAIS: UMA PESQUISA BIBLIOMÉTRICA.
Revista Metropolitana De Sustentabilidade (ISSN 2318-3233), 7(2), 93114. Recuperado de
https://revistaseletronicas.fmu.br/index.php/rms/article/view/1230 Silva, A. M. da, Silva, Áurio L.
L. da, Braga, N. C. de A., Guimarães, D. B., & Ponchio,
M. C. (2024). Antecedentes do comportamento sustentável em viagens de turismo de natureza no Brasil.
REVISTA ACADÊMICA OBSERVATÓRIO DE INOVAÇÃO DO TURISMO, 18(1), 49 74.
https://doi.org/10.61564/raoit.v18n1.7593
Soonsan, N., & Sukahbot, S. (2019). Testing the role of country and destination image effect on satisfaction
and revisit intentions among Western travelers. African Journal of Hospitality, Tourism and Leisure,
8(4), 1-14. Disponível em: https://www.ajhtl.com/uploads/7/1/6/3/7163688/article_28_vol_8_4
2019_thailand.pdf.
Scussel, F. B. C., Fogaça, N., & Demo, G. (2021). Experiência de consumo: proposta de um conceito
unificador. ReMark - Revista Brasileira De Marketing, 20(1), 175198.
https://doi.org/10.5585/remark.v20i1.16103
Su, L., Cheng, J., & Swanson, S. R. (2020). The impact of tourism activity type on emotion and
storytelling: The moderating roles of travel companion presence and relative ability. Tourism
Management, 81, 104138. https://doi.org/10.1016/j.tourman.2020.104138
Su, L., Tang, B., & Nawijn, J. (2021). How tourism activity shapes travel experience sharing: Tourist well-
being and social context. Annals of Tourism Research, 91, 103316.
https://doi.org/10.1016/j.annals.2021.103316
Scientia International Journal for Social Sciences 28 of 28
Trevisam, E., & Oliveira, S. C. S. de. (2024). CONTRIBUIÇÕES DA BIOFILIA PARA A O
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Veredas Do Direito, 21, e212408.
https://doi.org/10.18623/rvd.v21.2408-ptbr.
Triola, M. F. (2021). Elementary Statistics (14ª ed.). Pearson.