Scientia International Journal for Social Sciences 3 of 17
condições de circulação cultural. A UNESCO (2026) aponta que a transformação digital ampliou
ferramentas, mercados e audiências, mas não garantiu rendimentos estáveis para a maioria dos criadores e
intensificou assimetrias entre países, segmentos e agentes culturais. Em direção complementar, a UNESCO
(2025b) chama atenção para a presença ainda insuficiente da cultura nas agendas globais de desenvolvimento
sustentável. Tais constatações reforçam a necessidade de pensar mídia e produção cultural como campo de
disputa pública, e não como domínio exclusivamente técnico ou mercadológico.
2. Metodologia
A pesquisa adota abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico, documental e interpretativo. O corpus foi
organizado a partir de três conjuntos de materiais. O primeiro reúne literatura clássica e contemporânea sobre
mídia, comunicação, cultura, indústria cultural e mediações. O segundo contempla estudos sobre produção
cultural, economia criativa, políticas culturais, história da mídia e campo cultural. O terceiro incorpora
documentos normativos, relatórios institucionais e dados públicos publicados até 2026, especialmente
aqueles relacionados à cultura digital, à inteligência artificial, ao Sistema Nacional de Cultura, à Lei Paulo
Gustavo, à Política Nacional Aldir Blanc e ao Marco Regulatório do Fomento à Cultura.
A constituição do corpus seguiu seleção intencional e progressiva, sem pretensão de revisão
sistemática. O recorte bibliográfico abrange obras publicadas entre 1969 e 2025, localizadas em catálogos
bibliográficos, repositórios acadêmicos e referências consolidadas do campo. O corpus documental reúne
legislação, relatórios e bases públicas disponíveis até 2026, consultadas em portais oficiais, entre eles os da
Presidência da República, do Ministério da Cultura, da UNESCO e do NIC.br/Cetic.br. A busca e a leitura
exploratória foram orientadas por combinações dos termos mídia, mediação cultural, indústria cultural,
cultura de massa, produção cultural, economia criativa, plataformas digitais, plataformização, algoritmos,
inteligência artificial, políticas culturais, diversidade e território.
Foram mobilizados autores que permitem discutir a mediação cultural em perspectiva crítica, como
Adorno e Horkheimer, Morin, Hall, Martín-Barbero, García Canclini, Castells, Kellner, Santos, Silverstone,
Setton e Guareschi. Esses referenciais auxiliam na compreensão da mídia como instância de produção de
sentido, formação de públicos, organização de imaginários e disputa ideológica. Para a análise da produção
cultural como campo de trabalho, gestão e política, recorreu-se às contribuições de Rubim, Poli e Silva Junior.
Para a discussão sobre plataformização, dados, algoritmos e inteligência artificial, foram incorporados
Srnicek, Van Dijck, Poell, De Waal, Couldry, Mejias, Nieborg e Duffy, além de relatórios recentes da
UNESCO.
Os critérios de seleção foram operacionalizados pela correspondência direta de cada material com ao
menos uma das categorias analíticas, associada à identificação de autoria, à consistência teórico-